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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Proteção da Amazônia



Áreas protegidas da Amazônia são responsáveis pela redução do desmatamento

Márcia Maria Cruz

Publicação: 01/09/2010 10:42
Belo Horizonte — O Brasil está próximo de atingir 1,25 milhão de quilômetros quadrados protegidos na Amazônia, área que representa 27% do território ocupado pelo bioma. Pesquisas recentes têm demonstrado que as áreas protegidas são imprescindíveis para barrar o aquecimento global. O estudo Papel das áreas protegidas da Amazônia brasileira na mitigação das mudanças climáticas, publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), no primeiro semestre, comprovou a eficácia dessas áreas na redução de emissão de gás carbônico.
Segundo o líder do estudo, Britaldo Soares Filho, coordenador do programa de pós-graduação em modelagem de sistemas ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os trechos protegidos foram responsáveis por 37% da redução, entre 2004 e 2006, de um dos principais vilões para o aumento da temperatura no globo: o desmatamento. A projeção feita pelo trabalho é de que a proteção de novas áreas poderá evitar a emissão de 8 bilhões de toneladas de carbono até 2050.
“O trabalho comprova cientificamente a eficácia desse esforço e a necessidade de apoio, até de outros países, às ações de preservação”, diz Britaldo. A meta de área preservada de 30% foi estabelecida em 2006 pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) e, mesmo antes de ter sido plenamente alcançada, poderá ser revista. Seus percentuais poderão ser ampliados durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (CBD), que ocorrerá em Nagoya, Japão, de 18 a 29 de outubro.
“Como está sendo discutida a revisão das metas, é possível que se aumentem os percentuais para os biomas do mundo, incluindo a Amazônia”, diz o diretor de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fábio França. De acordo com França, ainda não foram definidos os percentuais que deverão ser apresentados pela comitiva brasileira. No entanto, ele admite que 30% não é o ideal, mas ressalva que, se as terras indígenas forem somadas às áreas protegidas da Amazônia, esse número aumenta para 45% do bioma. “Não é o melhor dos mundos, porque para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e conservar a biodiversidade, o ideal é desmatamento zero”, admite.
O combate ao desmatamento é uma das principais ações para que o Brasil possa deixar de figurar na lista dos países que mais emitem gases de efeito estufa, ou seja, os que mais colaboram para o aquecimento do planeta — ao lado dos Estados Unidos, da China e da Índia. “O principal responsável pela emissão de dióxido de carbono não é a indústria, o transporte, a energia elétrica. O vilão é a mudança de uso do solo. Em outras palavras, a conversão do solo da floresta para uso da agricultura ou aumento da área urbana”, pontua Fábio.
O programa de áreas protegidas da Amazônia (Arpa) é implementado por uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama, governos estaduais e municipais da Amazônia, Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF), Banco Mundial, KfW (banco de cooperação do governo da Alemanha), GTZ (agência de cooperação da Alemanha), WWF-Brasil, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e organizações da sociedade civil. Segundo o diretor do MMA, os resultados encontrados, em geral, indicam que as taxas de derrubada da floresta no interior dessas áreas são significativamente menores quando comparadas às áreas adjacentes.
Para garantir que as áreas protegidas não fiquem apenas no papel, os gestores do projeto devem investir US$ 400 milhões em 10 anos em ações de preservação. Segundo França, a determinação de uma região como área protegida inibe a derrubada ilegal de árvores, porque os criminosos não iniciam atividades econômicas em áreas onde fatalmente serão multados. “O Brasil é um dos países líderes no sensoriamento remoto, feito por sobrevoo ou imagem de satélite. É possível identificar em tempo real o desmatamento, o que ajuda a direcionar o esforço da fiscalização”, acrescenta.

Respiração
A preservação do bioma amazônico, além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, que são liberados quando as árvores são queimadas, também pode colaborar para a captura do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Ao longo da vida, as plantas realizam os processos de fotossíntese e de respiração. Durante a fotossíntese, as plantas capturam o CO2 da atmosfera para a produção de energia e liberam oxigênio. Por essa razão, as plantas são fundamentais para manter o equilíbrio do CO2. Ao respirar, elas fazem o processo inverso, liberando CO2.
Quando a floresta está em processo de crescimento, ela captura mais CO2, devido à fotossíntese, mais intensa. Era corrente entre os ecólogos que florestas em estágio de clímax ou adultas, como na Amazônia, tivessem estabilidade na captura e na produção de CO2. No entanto, algumas pesquisas vêm demonstrando que as florestas de clímax também podem capturar CO2 durante a fotossíntese. Uma delas foi desenvolvida por um grupo de 11 pesquisadores, entre os quais três brasileiros: Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Antônio C. Miranda e Heloísa S. Miranda, da Universidade de Brasília (UnB).
O grupo defende no estudo que o aumento da taxa de gás carbônico na atmosfera, em uma curva ascendente nos últimos anos, poderia na realidade incrementar a taxa de fotossíntese na Floresta Amazônica. A captura de gás carbônico por florestas estáveis é controversa. Por exemplo, de acordo com a analista de programa de conservação da WWF-Brasil Karen Suassuna, o balanço de carbono é neutro. O consenso entre todos os pesquisadores, no entanto, é que a preservação da Amazônia é fundamental para reduzir o aquecimento global. “Temos que garantir a preservação da biodiversidade e também pelo valor cultural da floresta” defende Karen.

Desmatamento cai 48%

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) divulgou ontem os últimos dados de desmatamento da Amazônia: foram devastados 485,1 quilômetros quadrados, de acordo com o Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter). Segundo o MMA, o total de desmate acumulado entre 2009 e 2010, no período de junho a julho, foi 48% menor do que o mesmo período de 2007 e 2008. A destruição foi liderada pelo estado do Pará, com 237,9 quilômetros quadrados, seguido por Mato Grosso, com 102,2 quilômetros quadrados. Os dados são relativos ainda ao Acre, ao Amazonas, ao Maranhão, a Mato Grosso, a Rondônia e a Tocantins. O Deter é um levantamento rápido feito mensalmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde maio de 2004, com dados de três satélites que detectam focos de incêndio no país inteiro. Ele foi desenvolvido como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e controle do desmatamento, mapeando tanto áreas de corte raso quanto áreas desmatadas por degradação florestal. (MMC)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Acontecimento do aquecimento global no mundo


Índia
Fazendeiro de Narinampura,vilarejo próximo à cidade de Ahmedabd, cultiva campo seco, Monções de junho, cruciais para as plantações de grãos, atrasaram este ano e tempo árido demais deve prejudicar a colheita.
China
O País também foi afetado por secas brutais em fevereiro, chão rachado na província de Yunnan.Na região oeste, a estimativa é que 3,56 milhões de hectares de grãos plantados se perderam em função da falta de chuvas.
Argélia
No tempo seco, queimada se espalha rápido pela floresta.Em alguns países africanos, temperatura bateu recorde e passou de 50ºc.
Vietnã
Camponês observa campo de cultivo de arroz destruído pelo calor.Seca de julho, que rachou o solo, foi considerada pelo governo a pior no país nas últimas 2 décadas.
Situação de agricultores é crítica.
Filipinas
Em marco colheita de milho em diversas regiões da Ásia foi prejudicada pela seca.Na foto, agricultor mostra espiga que não se desenvolveu em função da falta de água.Estragadas, diversas colheitas foram descartadas.
Afeganistão
Calor e seca pouco comuns durante o inverno no país, em janeiro, provocaram temor de que a situação de muitas famílias se agravasse. Na foto, moradores de região próxima à capital Cabul buscam água em uma fonte pública.

Canela

Vendavais de mais de 100 KM/H provocaram destruição no Rio Grande do Sul.
Chapecó
Queda de temperatura foi marcada por uma geada que destruiu plantações em Santa Catarina semana retrasada.
Cabrobó
Gado morto de fome na seca no interior de Pernanmuco neste mês.Calor tem castigado sertanejos no Nordeste brasileiro este ano.

"Haverá cada vez mais secas no Brasil"




O presidente da Comissão de meteorologia Agrícola da WMO, o neozelandês Kim Salinger, alerta que o aqueicmento global é crítico e que, se o consumo de energia e combustível não diminuir, o planeta não aguentará.
Estão acontecendo mais desastres naturais do que antes?
Há dois aspectos.Primeiro, tem mais gente em locais vulneráveis, áreas de risco, e, quanto algo acontece, o imposto é maior. Mas há também o aquecimento global, que provoca o aumento de ondas gigantes, secas, invernos mais intensos, enchentes.Com as mudanças que aconteceram, estamos mais sujeitos a eventos extremos.
Como isso se dá no Brasil?
Há desde as enchentes em Alagoas e Pernambuco, que estão relacionadas ao fenômeno “La Niña”, até as secas.Haverá cada vez mais seas no Brasil.Com a temperatura mais quente, a evaporação é mais rápida e os solos secarão com mais frequência.Isso não é bom para a agricultura.Estamos preocupados.
Há cientistas que contestam o aquecimento global, nâo?
Isso é besteira.Se olhar os dados, a década de 200 é a mais quente desde 1850(quando as medições começaram).Os oceanos estão mais quentes, as camadas de gelo estão derretendo, o aquecimento global é um fato concreto.Quanto mais cedo agirmos, melhor.A situação é grave e temos que nos preocupar.Temos que passar a usar energia solar e eólica.Aqui no Brasil tem muito sol.É preciso aproveitar isso.Não faz sentido, por exemplo, usar energia elétrica para esquentar a água de um banho.

Acredita que as pessoas dão a atenção necessária para as alterações climáticas em curso?
Ainda não deram mais atenção à crise financeira e deixaram essa que é gravíssima de lado.
Fazemos negócios como sempre fizemos, ainda não houve mudanças. A previsão é que a população cresça muito nas próximas décadas e temos que ser inteligentes para o globo suportar tanta gente.Temos que mudar costumes,todos nós.

Meteorologistas revelam pessimismo com o clima do planeta


Principais meteorologistas do mundo revelam pessimismo com o clima do planeta e preveem dificuldades na agricultura


A organização Mundial de Meteorologista(WMO, da sigla em inglês), agência da Organização das Nações Unidas(ONU) responsável por monitorar o clima do planeta, prevê que nos próximos anos será cada vez mais difícil plantar e colher alimentos devido ao aquecimento global.

O alerta foi feito durante o seminário internacional “Crise de subsistência dos produtores rurais:alimentação ameaçada pelas mudanças climáticas”, realizado em julho em Belo Horizonte(MG) pela associação suíca independente media21.Segundo os cientistas, eventos climáticos serão mais comuns e os agricultores, especialmente os de países pobres, serão os principais afetados.

“A produção de alimentos ficará mais difícil e as secas atingirão de maneira drástica boa parte da África.Em algumas regiões em que4 nunca foi possível plantar, como a Sibéria e parte do Canadá, será possível começar a produzir, mas, em termos globais, as perdas serão muito maiores que os ganhos que teremos com a mudança de temperatura”, explicou o secretário-geral da WMO, o francês Michel Jarraud.Ele ressalta a necessidade de medidas urgentes para tentar frear o aquecimento global e prevê problemas graves.O calor e as secas não são os únicos sinais da mudança de temperatura.O desequilíbrio nas correntes marítimas e ventos provoca também invernos mais rigorosos e temporais, além de outros eventos drásticos.

No Brasil, nas últimas semanas houve registros de situações extremas em diferentes regiões.No Mato Grosso do Sul, cerca de 3 mil bois morreram de frio próximo à fronteira do Paraguai.Em Chapecó(SC), agricultores tiveram dificuldades com uma geada forte que destruiu parte das plantações.No Acre e em diversos outros pontos da Floresta Amazônica, o tempo seco e os ventos agravaram o risco e os danos das queimadas, comuns nesta época do ano, Em Canela(RS), ventos de mais de 100Km/h arrancaram o telhado de casas e provocaram estragos graves.

No nordeste,depois da chuva que destruiu cidades inteiras em Alagoas e Pernambuco, sertanejos agora sofrem com a seca.

Isso só para citar fatos recentes no Brasil.

Há relatos de intempéries em todos os cantos do mundo e, de acordo com as WMO, elas devem ser cada vez mais comuns.”As mudanças provocam também outros estragos.Na agricultura pode favorecer a disseminação de fungos e pragas, por exemplo”,ressalta Jarraud, destacando a importância da colaboração internacional entre os meteorologistas.Segundo ele, uma rede bem organizada de previsão e troca de informações pode ajudar a minimizar desastres e disseminação de males, inclusive na área da saúde.”As chuvas podem levar a epidemias de cólera, dengue e malária, doenças que podemos tentar prevenir. As secas favorecem doenças como meningite”.

Entre as recomendações da WMO para tentar minimizar o aquecimento global. Estão a redução de consumo de recursos naturais, o plantio de árvores e o combate ao desmatamento, o uso de transporte alternativo, incluindo caminhadas e bicicletas, em vez de carros, a reciclagem de recursos naturais e o uso de energias renováveis como luz solar e vento.

“Todos temos que trabalhar juntos, nenhum país pode fazer isso sozinho”, afirmo o secretário-geral da WMO.

sábado, 28 de agosto de 2010

Extinção dos mamutes

Aquecimento global causou extinção dos mamutes, diz estudo

Manute-lanoso
Mamutes foram extintos na Sibéria por volta de 4 mil anos atrás
Um estudo da britânica Universidade de Durham afirma que os mamutes foram extintos por causa da redução nas áreas de pasto causada por mudanças climáticas, e não em consequência da caça por parte de seres humanos.
De acordo com a pesquisa, a elevação da temperatura do planeta com o fim da época mais fria da chamada Era do Gelo – cerca de 21 mil anos atrás – viu um declínio nas áreas de pradarias nas quais esses animais se alimentavam.
Há cerca de 14 mil anos, os Mammuthus primigenius, ou mamutes-lanosos, que um dia fizeram parte da paisagem europeia, se resumiam ao norte da Sibéria, onde acabaram morrendo 4 mil anos atrás.
As razões dessa extinção são incertas e viraram alvo de um intenso debate entre os cientistas.
Enquanto uns argumentam que o processo está ligado ao aquecimento global, outros defendem que foram as pressões em decorrência de uma população humana crescente.
Uma terceira teoria atribui o fim dos mamutes à colisão de um meteoro.
"O que os nossos resultados sugerem é que a mudança climática – através do efeito que teve sobre a vegetação – foi o fator-chave que causou a redução da população e a extinção dos mamutes e de outros herbívoros de grande porte", afirmou o professor Brian Huntley, que coordenou o estudo.

Grama x florestas
A pesquisa recriou, através de computador, modelos que simularam a vegetação na Europa, Ásia e América do Norte nos últimos 42 mil anos.
Os cientistas levaram em conta o que se acredita ter sido o comportamento do clima durante esse período e modelos de como determinados tipos de vegetação crescem em diferentes condições.
As baixas temperaturas e as condições especialmente secas da Era do Gelo, combinadas com as baixas condições de emissão de dióxido de carbono, não favoreciam o crescimento de árvores, eles concluíram.
Isso fez com que, em vez de florestas, a paisagem daquela época fosse marcada por vastas áreas de pradarias, ideais para herbívoros de grande porte, como os mamutes.
Com o passar dos anos o clima se tornou mais quente e úmido. No fim da era glacial, a concentração de dióxido de carbono era mais elevada. Como resultado, as árvores tomaram áreas que antes eram de pradarias.
"No ápice da Era do Gelo, os mamutes e outros herbívoros contavam com mais alimentos", disse o pesquisador. "Mas à medida que caminhamos para uma etapa pós- glacial, as árvores gradualmente substituíram os ecossistemas herbáceos e isto reduziu muito a área de pastagem."

Fonte:site da bbc

Aquecimento global no Brasil

Aquecimento global pode afetar Brasil até 20% mais que a média, diz Inpe


Um aumento de até 4 graus pode causar o desaparecimento da Amazônia
O aquecimento global no Brasil pode ter efeitos 20% maiores que a média global até o fim do século, com grandes impactos sobre os índices pluviométricos do país, de acordo com um novo estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lançado durante a reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague.a
Em parceria com o Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, cientistas fizeram projeções dos efeitos dos gases que provocam o efeito estufa no país usando diferentes modelos.
As consequências econômicas para o país são potencialmente desastrosas, já que uma redução no regime de chuvas do Brasil teria efeitos diretos sobre a produção de energia elétrica – 70% da qual é gerada por hidrelétricas.
Além disso, as pesquisas do Inpe e do Hadley Centre alertam para os riscos do desmatamento que também colabora para deixar o clima mais quente e seco.

Chuva
Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, isto pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental.
Segundo os pesquisadores, 40% de desmatamento ou um aquecimento global entre 3°C e 4°C representariam o ‘tipping point’, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de começar a desaparecer.
Com apenas 2ºC a mais no termômetro, a bacia amazônica perderia 12% do volume de chuvas e a bacia do São Francisco, 15%.
Na bacia do Prata, por outro lado, os cientistas prevêem um aumento nos índices pluviométricos de 2%.

São Francisco
Nas previsões mais extremas, com um acréscimo de temperatura de 6,6%, as chuvas na Amazônia e na região do São Francisco poderiam cair 40% e 47%, respectivamente, literalmente transformando essas regiões.
Os pesquisadores ainda fizeram uma versão intermediária dos impactos do aquecimento, levando em conta um acréscimo de 5,3ºC. Nesta, a bacia do São Francisco perderia 37% das suas precipitações, enquanto a região amazônica teria 31% a menos de chuvas.
Mesmo a hipótese menos drástica, de um aquecimento de 2ºC, ameaçaria o futuro do rio São Francisco, que já terá o seu volume d’água bastante afetado pelas obras de transposição.
O modelo climático global do Hadley Centre é faz projeções de alterações do clima em todo o mundo.
Já o modelo climático regional do Inpe se concentra no Brasil e avalia o impacto de níveis diferentes de aquecimento global.
Desde a década de 80, o Inpe vem aplicando modelos climáticos globais como ferramenta para estudar os impactos do desmatamento na Amazônia sobre o clima.

Fonte:site da bbc

Redução de aquecimento global

Só estagnação econômica pode reduzir aquecimento global, diz estudo

Escultura representa o futuro negro do planeta com o aquecimento global
Relatório não vê biocombustíveis como possível solução
Um estudo de uma entidade britânica, divulgado nesta segunda-feira, defende que a única forma de controlar o aquecimento global é que os países ricos interrompam seu crescimento econômico.
A tese defendida pela Fundação Nova Economia (NEF, na sigla em inglês) é de que, mesmo com expansão econômica reduzida, não será possível atingir a meta de aquecimento global abaixo dos 2º C, como almejado pela comunidade internacional.
No relatório Crescimento não é possível: porque as nações ricas precisam de uma nova direção econômica, Andrew Simms, diretor da NEF, explica que “o crescimento econômico incessante está consumindo a biosfera do planeta além de seus limites”.
Em sua visão, o custo dessa expansão aparece no “comprometimento da segurança alimentar global, nas mudanças drásticas do clima, na instabilidade econômica e nas ameaças ao bem-estar social”.
Por isso, o mundo precisa de uma nova economia que respeite o orçamento ambiental, diz o estudo.
“Não há um banco central global do meio ambiente para nos salvar se formos à falência ecológica”, conclui.

Gases causadores do efeito estufa
O relatório da NEF explica que, segundo a Nasa, a agência espacial americana, a concentração máxima de gás carbônico na atmosfera para manter o aquecimento global dentro dos 2º C deveria ser de 350 ppm (partículas por milhão).
Para atingir essa meta até 2050, porém, a humanidade teria de reduzir sua intensidade de carbono na economia (quantidade de CO2 necessária para gerar expansão econômica) em 95%.
Não há um banco central global do meio ambiente para nos salvar se formos à falência ecológica

Andrew Simms, diretor da NEF
O problema é que a intensidade vem aumentando ao longo desta década.
Para reverter essa tendência, o estudo destaca que seria necessário um esforço político muito superior ao apresentado durante a Conferência de Mudança Climática em Copenhague, em dezembro do ano passado.
Justamente por isso o estudo classifica essa drástica redução na intensidade de carbono na economia como “sem precedente e, provavelmente, impossível”, reforçando a defesa pela estagnação econômica.

Alternativas inviáveis
O estudo também confronta a posição de muitos líderes globais de que o uso de biocombustíveis é uma opção viável para controlar o aquecimento global.
O primeiro problema é que esses combustíveis consomem uma área agrícola essencial para a produção de alimentos.
Se o Reino Unido, por exemplo, quisesse substituir seu consumo de petróleo por biocombustíveis à base de soja ou milho, precisaria de 36 milhões de hectares, ou seja, uma área 650% superior às terras aráveis do país, diz o estudo.
No caso do etanol produzido à base de cana-de-açúcar, o relatório admite que é possível produzir o combustível com o bagaço da cana, mantendo o suco voltado para a produção de alimentos.
Mas o etanol à base do bagaço “ainda precisa de substancial pesquisa e ainda não é comercialmente viável”, diz o estudo.
Com base em todas as possíveis alternativas analisadas pela NEF, o estudo concluiu que não pode haver controle do aquecimento global sem controle do crescimento econômico.
“Isso significa que, para permitir um crescimento econômico em países com baixa renda per capita (...), será necessária uma redução na expansão econômica dos países ricos”, conclui o relatório.
Fonte:site da bbc