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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Amazônia pode perder 70% de sua área se houver aumento da estação seca

A projeção consta no relatório do IPCC; situação pode se agravar diante do crescimento do desmatamento
A Floresta Amazônica poderá sofrer uma redução de 70% da extensão da sua área ao fim do século, se houver um aumento da estação seca. A projeção consta do relatório completo do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que foi divulgado ontem na sequência do sumário para formuladores de políticas, anunciado na sexta passada.
O material, com mais de mil páginas, traz com mais detalhes as bases físicas da ciência do clima e uma abordagem regional com projeções sobre como cada parte do planeta poderá ser afetada no futuro. No capítulo 12, de mudanças climáticas de longo prazo, o relatório se refere a estudos para a Amazônia. O texto lembra que no clima atual o crescimento intenso da floresta ocorre justamente durante a estação seca, quando a insolação é maior e há bastante água do período chuvoso armazenada nos aquíferos subterrâneos.
Há muitas incertezas ainda sobre como a mudança climática vai afetar a seca na região, mas simulações que consideram um cenário de aumento do período sem chuva observam essa redução dramática na vegetação. O painel de cientistas alerta que o cenário poderá ficar ainda pior diante de um quadro de aumento do desmatamento, que tende a prolongar a estação seca. "Condições assim aumentam a probabilidade de incêndios naturais que, combinados com queimadas provocadas por atividades humanas, podem minar a resiliência da florestas às mudanças climáticas", escrevem os autores.
A redução de área da Amazônia consta na literatura revisada pelo IPCC, mas informações mais detalhadas sobre o que pode acontecer com a região caberão ao grupo 2 do painel, que divulga sua parte, de impactos das mudanças climáticas, em março do ano que vem.
Focando nas bases científicas do aquecimento global, o relatório do grupo 1 afirma que é muito provável (mais de 90% de chance) que a temperatura suba em toda a América do Sul, com o maior aquecimento projetado para o sul da Amazônia. A projeção é de um aumento da temperatura média de 0,5°C (centro-sul) a 1,5°C (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) no País até o fim do século no cenário mais otimista; e de 3°C (Sul e litoral do Nordeste) a 7°C (Amazônia) no pior cenário.
Em relação às chuvas, porém, há incertezas, com diferentes estudos mostrando várias tendências para algumas regiões, explica a pesquisadora Iracema Cavalcanti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma das autoras do capítulo 14, que mostra as projeções regionais futuras. "Mas temos grande confiabilidade para algumas. Os resultados são muito robustos de que na Região Sul do País e na bacia do Prata as chuvas vão aumentar. E no inverno, há mais confiança de que haverá excesso de chuvas no oeste da Amazônia e menos no leste e no sul", diz.

Glaciais dos Alpes devem sumir em 100 anos


 



O Aletsch, na Suíça, já perdeu 3,5 km e teve espessura reduzida em 300 metros
Em 1678, os habitantes do pequeno vilarejo de Fiesch fizeram uma promessa solene de rezar todos os anos contra a expansão do glacial de Aletsch, um dos maiores do mundo. Com 21 km de extensão, a geleira aumentava a cada ano a sombra sobre a pequena cidade.
Trezentos e trinta e cinco anos depois, os habitantes do povoado alpino mudaram o tom da oração: rezam para que a geleira não derreta, o que significaria o fim de Fiesch em decorrência de uma inundação de proporções bíblicas.
Desde o século 15, Aletsch já perdeu mais de 3,5 km e a cobertura de gelo foi reduzida em 300 metros de espessura. O caso dessa geleira não é o único. Espalhados pelos Alpes nos territórios da Suíça, da Áustria, da França e da Itália, locais conhecidos pela presença de neves eternas e geleiras monumentais começam a sofrer uma dura transformação.
Na sexta-feira, os cientistas do IPCC confirmaram que o homem é o principal responsável pelo aquecimento da Terra e que, se nada mudar, até 2100 a temperatura média do planeta pode aumentar em até 4,8 °C.
Longe das conferências da ONU, os habitantes não têm dúvidas de que a paisagem mudou e que o aquecimento global é uma realidade incontestável. "Não precisamos medir nada. É só olhar", disse Hans Muller, dono da única padaria local, apontando para fora de sua loja. O negócio é da família desde 1830.
O que se vê a olho nu é reforçado pelos últimos informes sobre o clima. Para cientistas, existe o sério risco de que até 2100 o volume total de glaciais do planeta diminua de 15% a 55%, num cenário mais otimista, chegando a 85% num mais pessimista.
Martine Rebetez, especialista em mudanças climáticas nos Alpes e membro do Instituto Suíço de Pesquisa da Université de Neuchâtel, afirma não ter dúvidas sobre o que está ocorrendo. "Nos Alpes, todos os glaciais estão retrocedendo."
Do lado francês dos Alpes, a história não é muito diferente. As paróquias francesas também apelaram às forças divinas para frear o avanço de geleiras que ameaçavam há quase 400 anos engolir vilarejos. Em 1643, os habitantes de Chamonix organizaram um procissão depois que uma parte da geleira local destruiu um ponto da cidade. No ano seguinte, o bispo de Genebra assumiu a tarefa de lutar contra o gelo e passou a benzer o glacial a cada ano.
Agora, o Mer de Glace – o maior glacial da França, com uma superfície de 30 km2 – perde a cada ano entre 4 e 6 metros de espessura e cerca de 30 metros de tamanho. Entre 1905 e 2005, o Mar de Gelo perdeu 120 metros de espessura. O local que serviu de cenário para romances como Frankenstein, de Mary Shelley, sofreu uma contração desde 1850 de 2,5 quilômetros. O recuo do "mar" deixou em seu lugar pedra.
Esqui. As mudanças também afetam os bolsos e orçamentos de cidades inteiras nos Alpes. Nos próximos 20 anos, metade das estações de esqui da Suíça poderá ser obrigada a fechar. Motivo: a falta de neve. O resultado pode ser um desastre financeiro para regiões que dependem do turismo de inverno

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Saiba mais sobre a água em pó, grande promessa contra seca

A água em pó melhora a capacidade de absorção do solo e pode diminuir o gasto insustentável do planeta com irrigação.

Pesquisadores estão desenvolvendo um tipo de água em pó, que promete agir contra a seca em diversas regiões do mundo. Dez gramas do novo produto equivalem a um litro de água.

 

grande promessa contra seca
A água em pó promete ajudar a agricultura a poupar água e superar as secas.
Chuva sólida: a solução para a irrigação

De acordo com a Organização das Nações Unidas, a agricultura usa 92% da água doce do mundo. Este consumo transforma o cultivo de alimentos e outros produtos quase que insustentável. A ONU constatou também que os países que mais consomem água no planeta são Estados Unidos, China, Índia e Brasil.

A água em pó, que foi denominada chuva sólida, espera superar o desafio global de cultivar plantas em condições áridas. A ideia está despertando o interesse de muitos produtores rurais e empresas, principalmente depois que a ONU afirmou que a maior parte da água usada no planeta vai para a irrigação.

Um negócio de sucesso
 

Saiba mais sobre a água em pó, grande promessa contra secaA chuva sólida é fabricada no México. (Foto:Divulgação)

A descoberta da água em pó começou em 1970, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos desenvolveu um produto superabsorvente feito com um tipo de goma. O engenheiro mexicano Sérgio Jesus Rico Velasco, no entanto, descobriu o potencial da substância para reter água no solo.

Há cerca de 10 anos, Velasco vende ‘chuva sólida’ no México. Sua equipe descobriu que o produto é capaz de ampliar a colheita em 300% e superar todos os temores a respeito da falta de água.

A chuva sólida é capaz de encapsular a água no solo, um efeito que pode durar de 8 a 10 anos. Os resultados podem ser ainda melhores se a irrigação for feita com água pura.
 

A empresa responsável pela chuva sólida recomenda usar 50 quilos do produto por hectare. Para adotar esta forma econômica de tratar o solo, o produtor precisa investir o equivalente a US$ 1.500.

Diferente do que muitos pensam, a chuva sólida não é tóxica e não libera compostos que agridem o solo. Depois de um tempo, o pó se torna parte da planta.

Alguns pesquisadores ainda contestam os efeitos da chuva sólida, como é o caso de Linda Chalker-Scott, da Universidade do Estado de Washington. Ela afirma que o produto pode causar problemas na medida em que vai desviando a água que iria para a raiz da planta. Desta forma, se o uso não for bem administrado, a chuva sólida pode resultar em problemas para o produtor.